De Birigui ao Villa Nova: a caminhada de Vitor Pestillo em busca do sonho profissional


 Aos 19 anos, atleta reúne passagens por Ituano, São Bernardo e Cosmopolitano, encontra na família o apoio para seguir e valoriza os aprendizados conquistados nas categorias de base.

Antes das avaliações, das viagens e das competições estaduais, o futebol de Vitor Chagas Pestillo começou nos encontros de sábado com o pai. Aos três anos, acompanhava Everton Pestillo nas partidas de futsal com os amigos. A convivência tão cedo com a bola abriu um caminho que, anos depois, o levaria das quadras do interior paulista às categorias de base do Villa Nova, em Minas Gerais.

Hoje, aos 19 anos, Vitor vive em Nova Lima e defende o Sub-20 do clube conhecido como Leão do Bonfim. Natural de Birigui e com sua história também ligada a Araçatuba, ambas no interior de São Paulo, o jovem trabalha para alcançar o primeiro contrato profissional. Nesse percurso, aprendeu a lidar com dispensas, mudanças de clube e dificuldades emocionais, sem abandonar a alegria que o fez escolher o esporte.

Filho de Fernanda Chagas e Everton Pestillo, o atleta reconhece a importância da família em cada etapa. O apoio recebido desde os primeiros contatos com o futsal continua presente agora, em um momento de preparação para os próximos passos da carreira.

“Minha paixão a vida inteira foi a bola. Esse é meu porquê. Jogar futebol é minha vida”, afirma.

Uma infância construída nas quadras

O futsal ocupou praticamente toda a infância de Vitor. Além de acompanhar o pai, ele teve no tio, treinador da modalidade, outra ligação próxima com o esporte. Atualmente à frente da própria escolinha, a EP1 Esportes, o familiar já trabalhava com treinamentos em escolas quando o sobrinho começou a participar das atividades.

Naquele período, Vitor disputava os campeonatos conhecidos como “abertos”, em Araçatuba, e também jogava pelo Pérola Clube, de Birigui. Entre treinos e competições, foi desenvolvendo sua relação com o jogo e descobrindo o prazer de estar em quadra.

Até os 12 anos, sua experiência esportiva esteve concentrada no futsal. A oportunidade de conhecer uma nova realidade apareceu por meio de um amigo, que o convidou para jogar na escolinha de futebol de campo do Operário, em Araçatuba.

O convite se tornou um ponto de mudança. Ao começar a jogar no campo, Vitor percebeu que desejava seguir por aquele caminho. A paixão pela bola já existia, mas foi nessa transição que a vontade de construir uma carreira ganhou mais clareza.

O que antes fazia parte da rotina de infância passou a representar uma escolha para o futuro. Ele queria ser jogador de futebol e começou a buscar oportunidades para transformar essa vontade em realidade.

A preparação no CEST e a chegada ao Ituano

Aos 15 anos, Vitor iniciou os treinamentos no Centro Esportivo Sérgio Tada, o CEST. A passagem pelo centro de preparação antecedeu uma oportunidade importante: realizar uma avaliação no Ituano.

Ele já havia participado de testes e peneiras por conta própria. Dessa vez, após aproximadamente dois meses de trabalho no CEST, teve a chance de permanecer uma semana em avaliação no clube de Itu. Ao fim do período, recebeu a aprovação.

A entrada no Ituano marcou uma nova etapa. Vitor passou a viver a experiência de integrar a base de um clube, aproximando-se do objetivo que havia definido ao migrar para o campo.

A permanência durou dez meses. Depois, veio a dispensa e, com ela, a necessidade de buscar outro lugar para continuar sua formação.

Ao falar sobre os desafios da carreira, o atleta destaca justamente o aprendizado de lidar com as dificuldades e com as próprias emoções. A experiência no futebol exigiu que desenvolvesse resiliência e encontrasse forças para seguir mesmo quando os planos precisavam mudar.

A passagem pelo Ituano ficou como parte dessa construção. O caminho continuaria em outro clube, com novas exigências e oportunidades de aprendizado.

No São Bernardo, uma etapa de amadurecimento

No fim de 2023, Vitor foi aprovado no Esporte Clube São Bernardo, o Cachorrão do ABC. Segundo seu relato, permaneceu por cerca de dois anos na equipe e encontrou ali um ambiente importante para seu crescimento como atleta.

Ele identifica a passagem pelo clube como um período de amadurecimento. A continuidade do trabalho permitiu acumular experiências e compreender melhor o que a carreira exigia de sua dedicação e de seu comportamento.

A formação de um jogador envolve resultados, mas também a capacidade de aprender com diferentes situações. Na avaliação de Vitor, cada temporada acrescentou algo ao seu desenvolvimento. Os clubes pelos quais passou contribuíram para ampliar sua compreensão do futebol e fortalecer sua preparação.

Ao olhar para esse percurso, ele valoriza a evolução construída ao longo dos anos. Sua leitura da própria carreira passa pelo reconhecimento de que ainda há muito a conquistar, mas também de que cada experiência deixou aprendizados.

A oportunidade de disputar a Copinha

No fim de setembro de 2025, Vitor seguiu para o Cosmopolitano com o objetivo de disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior. A passagem acrescentou ao currículo a participação na Copinha e mais uma vivência nas categorias de base.

O atleta destaca que também aprendeu muito no clube. A mudança representou a oportunidade de conhecer outro ambiente de trabalho e dar sequência à trajetória que vinha construindo no futebol paulista.

Em seu histórico de competições, Vitor reúne participações no Campeonato Paulista Sub-15, em duas edições do Sub-17 e também no Sub-20. A disputa da Copa São Paulo passou a integrar esse conjunto de experiências.

Para ele, o valor dessas etapas está ligado ao que conseguiu absorver em cada uma delas. O contato com novos grupos e diferentes momentos da formação ajudou a construir a maturidade que hoje considera uma de suas principais conquistas.

Um novo capítulo no Villa Nova

Em abril, Vitor chegou ao Villa Nova. A mudança para Nova Lima abriu um capítulo fora do estado de São Paulo e trouxe a oportunidade de continuar sua formação no futebol mineiro.

Atualmente no Sub-20 do Leão do Bonfim, ele se diz contente com o momento e empolgado com o futuro. Entre as competições citadas em seu relato está o Campeonato Mineiro Módulo II.

A nova etapa mantém vivo o objetivo de assinar o primeiro contrato profissional. Para alcançá-lo, o atleta busca aproveitar a experiência acumulada desde o futsal e continuar evoluindo no trabalho diário.

A passagem por diferentes clubes também mudou sua maneira de compreender a carreira. Vitor reconhece que o desenvolvimento acontece ao longo do tempo e depende da disposição para aprender, enfrentar dificuldades e permanecer comprometido com a escolha feita ainda jovem.

Conquistas que vão além dos troféus

Ao fazer um balanço das categorias de base, Vitor reconhece que sua trajetória não foi marcada pela conquista de troféus. Ainda assim, identifica resultados importantes em sua formação.

“Conquistei muita maturidade, sabedoria, dedicação, paciência e disciplina”, avalia.

São esses aprendizados que ele leva para a continuidade da carreira. Em sua visão, o crescimento pessoal e a maneira de lidar com o processo têm valor para quem pretende avançar no esporte.

Essa percepção acompanha sua leitura sobre os anos de base. Mesmo sem uma coleção de títulos, Vitor considera que evoluiu e reuniu experiências que contribuem para seu momento atual.

A disciplina para continuar, a paciência diante das oportunidades e a maturidade para enfrentar mudanças aparecem como partes centrais de seu relato. São conquistas que ele associa à possibilidade de chegar mais longe.

Cristiano Ronaldo, Casemiro e Thiago Alcântara entre as referências

As referências de Vitor no futebol reúnem características diferentes. Em Cristiano Ronaldo, ele admira a mentalidade. Casemiro foi um jogador que acompanhou bastante durante a passagem pelo Real Madrid. Já Thiago Alcântara chama sua atenção pelo refinamento técnico.

As escolhas mostram quais aspectos do futebol despertam seu interesse: a preparação mental, o desempenho observado ao longo de uma carreira e a qualidade no trato com a bola.

Embora busque inspiração em nomes conhecidos internacionalmente, Vitor vive seu próprio processo de formação. O desafio está em transformar o que admira em motivação para continuar aprendendo e desenvolvendo seu jogo.

A família como apoio constante

Se a trajetória reúne diferentes clubes, o apoio familiar aparece como um elemento constante. Vitor afirma que recebeu incentivo de todos os lados da família e destaca especialmente a presença do pai.

Everton esteve ligado ao início dessa história, levando o filho aos encontros de futsal. Anos depois, continua sendo uma referência de apoio para o jovem que decidiu fazer do futebol sua profissão.

O reconhecimento desse esforço também influencia a maneira como Vitor encara a rotina. Ao falar sobre os momentos mais marcantes, ele valoriza o fato de ter começado e acreditado na própria capacidade de realizar o sonho.

A motivação, segundo o atleta, se renova na vontade de melhorar e honrar a dedicação de sua família. Cada etapa tem, portanto, um significado que ultrapassa a realização individual.

O primeiro contrato profissional é um objetivo pessoal, mas também representa a possibilidade de dar continuidade a uma caminhada acompanhada de perto por quem sempre o apoiou.

Resiliência e fé diante das dificuldades

A parte emocional ocupa um espaço importante no relato de Vitor. Para ele, o maior desafio foi aprender a lidar com as dificuldades e com os sentimentos envolvidos na carreira.

O atleta aponta a resiliência como uma capacidade que precisou desenvolver. Também destaca a fé em Deus como apoio para enfrentar esse processo.

A experiência de passar por avaliações, receber uma dispensa e recomeçar em outros clubes faz parte de sua história. Ao refletir sobre o caminho, ele reconhece que a preparação mental é necessária para continuar buscando os objetivos.

Esse aprendizado permanece em construção. Vitor entende sua evolução como um processo contínuo, alimentado pelas experiências de cada temporada e pela disposição de melhorar.


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