Superação dentro e fora de campo marca a trajetória de Felipe Ferreira


Por Advaldo Filho

 A história de Felipe Ferreira de Araújo, conhecido no futebol como Felipe Neguin, é marcada por superação, persistência e amor ao esporte. Natural de Teresina, no Piauí, aos 31 anos, o atleta construiu sua trajetória entre a base e o profissional, enfrentando limitações financeiras, desafios físicos e momentos decisivos que moldaram não apenas o jogador, mas também o homem fora de campo.

Felipe teve os primeiros contatos com o futebol ainda aos 8 anos de idade, durante as aulas de educação física na escola onde estudava. Foi ali que um professor identificou seu potencial e afirmou que ele poderia se tornar um jogador diferenciado, apesar de ressaltar que o porte físico poderia ser um obstáculo. A partir desse incentivo, Felipe iniciou sua caminhada no Esporte Clube Flamenguinho, dando os primeiros passos rumo ao sonho de viver do futebol.

Ao longo dos anos, acumulou conquistas em jogos escolares, campeonatos de bairros, competições de base e também no futebol profissional. Um dos episódios mais marcantes da carreira aconteceu em 2010, durante a Copa do Nordeste de base, na cidade de Picos. Com apenas nove jogadores em campo, sua equipe enfrentou a Sociedade Esportiva de Picos (SEP) e conseguiu levar a decisão para os pênaltis. A vitória veio com a última cobrança, em um chute decisivo que garantiu o título no Estádio Helvídio Nunes, consagrando um grupo que superou todas as adversidades.

Identificado com o futebol desde cedo, Felipe destaca que o esporte sempre esteve ligado às emoções, à motivação e aos sentimentos que o impulsionaram a seguir em frente. Entre suas referências, cita Roberto Carlos e Cafu, não apenas pelas qualidades técnicas, mas também pelos exemplos como pessoas.

O apoio familiar foi fundamental, mesmo em meio às dificuldades. Criado com o suporte da mãe e da avó, Felipe relembra que nem sempre havia condições financeiras para comprar chuteiras, materiais esportivos ou custear a documentação necessária para registros nas federações. Ainda assim, a família nunca deixou de incentivá-lo.

Outro momento inesquecível foi vivido quando atuava pelo Flamengo do Piauí, às vésperas de um confronto histórico pela Copa do Brasil, contra o Santos, equipe que contava com Neymar, Ganso e outros grandes nomes. Embora não estivesse inscrito na competição, Felipe participou intensamente da preparação e dos bastidores. O empate em 2 a 2, diante de mais de 27 mil torcedores no Estádio Albertão, ficou marcado pela reação do time piauiense e pela atmosfera vibrante que fez o estádio “tremer”.

Apesar das conquistas, a carreira também foi marcada por momentos difíceis. O maior desafio veio com uma grave lesão na perna esquerda, que resultou em fratura da tíbia distal e na implantação de uma placa metálica de cerca de 20 centímetros. Foram oito meses de imobilização, mais de um ano até o retorno gradual, e mais de 100 sessões de fisioterapia. O processo foi doloroso, físico e emocionalmente, mas, com o apoio de profissionais da área da saúde, Felipe conseguiu voltar a fazer o que mais ama: jogar futebol.

Hoje, o atleta mantém uma rotina rigorosa de treinos, focada em resistência aeróbica, força, agilidade e desenvolvimento físico, fundamentais para a função que exerce em campo. Fora das quatro linhas, é reconhecido como um jogador motivador, que incentiva os companheiros e cobra desempenho sempre pensando no coletivo.

Felipe também destaca o impacto social de sua trajetória. Após aparecer na televisão e conceder entrevistas, passou a ser referência no bairro onde mora, inspirando jovens a praticarem esporte e acreditarem em um futuro diferente. Para ele, o futebol foi essencial para se afastar de caminhos negativos, como drogas e violência, além de proporcionar experiências, viagens e encontros com pessoas que marcaram sua vida.

Com simplicidade e fé, Felipe Neguin acredita que o futebol pode transformar realidades. Seu objetivo é mostrar sua qualidade e experiência, ao mesmo tempo em que trabalha para ajudar o futebol piauiense a recuperar o protagonismo. Ele deixa uma mensagem clara às novas gerações: é preciso sacrifício, disciplina, cuidado com o corpo e, acima de tudo, perseverança.

“Todo começo tem dificuldade, aprendizado e desafios, mas isso não é motivo para desistir. Tenha fé, confie em Deus e faça acontecer”, resume o atleta, que segue usando sua história como exemplo de superação dentro e fora dos gramados.

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