João Emmanuel: fé, resiliência e um sonho que segue firme no futebol

Por Advaldo Filho

Aos 18 anos, o teresinense João Emmanuel, filho de Helton Cunha e Gisane Oliveira, constrói uma trajetória marcada por superação, disciplina e fé. Morador de Teresina, no Piauí, o jovem atleta vem transformando dificuldades em combustível para seguir em busca do maior objetivo da sua vida: se profissionalizar no futebol e construir uma carreira sólida.

A história de João com a bola começou cedo, aos 12 anos, em uma escolinha chamada “Os Campeões no Jogo da Vida”. Naquele momento, o futebol ainda era encarado como brincadeira, algo natural para uma criança. A virada aconteceu em 2021, quando retornou a Teresina e passou a treinar na Fundação Mateus, sob os ensinamentos do saudoso treinador Nonatinho. Foi ali que João começou a entender o futebol de forma mais séria.

Durante um treino, o talento do jovem chamou a atenção de um coordenador das categorias de base do Fluminense-PI, que o convidou para um teste. João foi aprovado, e aquele momento marcou oficialmente o início da sua caminhada no futebol competitivo. “Fui treinando, jogando, evoluindo jogo após jogo”, relembra.

Em 2024, com apenas 16 anos, deu mais um passo importante ao integrar o elenco sub-20 do Teresina Esporte Clube, onde disputou o Campeonato Piauiense da categoria. O desempenho foi positivo e rendeu novas oportunidades. Em dezembro do mesmo ano, João se transferiu para Picos, para defender a Sociedade Esportiva de Picos-PI. Lá, conquistou a titularidade e foi escolhido para disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2025, a tradicional Copinha.

A participação na Copinha, em Jaú (SP), é apontada pelo próprio atleta como o momento mais marcante da sua trajetória. “Foi a realização de um sonho meu e da minha família. Quando cheguei lá, não consegui acreditar que tinha conseguido. A ficha ainda não caía”, conta, emocionado.

Após o torneio, João retornou ao Teresina E.C., onde disputou o Campeonato Piauiense Sub-20 de 2025, contribuindo inclusive com um gol na fase de grupos. No meio da competição, surgiu um novo convite: integrar o elenco sub-20 do Clube Atlético Piauiense, equipe que defende atualmente.

O ano de 2023 foi especial e vitorioso. João conquistou títulos importantes, como a Copa Usina Santana, a Kariri Cup, em Juazeiro do Norte (CE), e a Copa Sabiá, em Caxias (MA). Já 2024 foi um período de amadurecimento: tornou-se capitão do Sub-17, foi vice-campeão piauiense da categoria, atuou no Sub-20 ainda muito jovem e precisou lidar com a distância da família, ao se mudar de cidade.

Apesar das conquistas, o caminho não foi fácil. Em novembro de 2025, João sofreu o maior desafio da carreira até aqui: rompeu o Ligamento Cruzado Anterior (LCA) e o Menisco Medial. A cirurgia aconteceu no dia 29 de janeiro de 2026, e a recuperação o afastou da Copinha 2026, um golpe duro para quem vinha em ascensão.

“Atualmente, minha rotina mudou completamente. Passo boa parte do dia no quarto, colocando gelo de seis a oito vezes, faço fisioterapia pela manhã, alguns exercícios à tarde e muito repouso”, relata. Mesmo assim, o jovem mantém a confiança e a esperança na recuperação total.

Dentro de campo, João atua como zagueiro e lateral esquerdo. Ele se define como um jogador intenso, agressivo quando necessário e líder da defesa, sempre orientando os companheiros. Para ele, o zagueiro moderno precisa iniciar a saída de bola com qualidade, organizar a linha defensiva, proteger o goleiro e ter inteligência emocional. Já o lateral deve dar profundidade ao time, apoiar no ataque e na defesa, com coragem e preparo físico.

A principal referência no futebol é Cristiano Ronaldo, símbolo de disciplina, dedicação e profissionalismo. Fora das quatro linhas, João encontra apoio fundamental na família. O pai é apontado como o maior incentivador, sempre presente nos treinos e conselhos. A mãe, mesmo receosa no início, demonstrou apoio incondicional após a aprovação no Fluminense-PI, em uma cena que João guarda com carinho.

A fé também é um pilar central na vida do atleta. “Deus pra mim é tudo: meu Senhor, meu Salvador, meu refúgio e minha fortaleza. Tenho certeza que foi Ele quem me sustentou até aqui”, afirma. João acredita que o futebol foi decisivo para moldar quem ele é hoje, ajudando a desenvolver foco, disciplina e responsabilidade.

Para ele, o futebol vai muito além de um esporte. “Foi o futebol que me livrou de mim mesmo em vários momentos, durante a pandemia e em outras situações difíceis”, diz. A palavra que define sua trajetória é esforço.

Ao olhar para o futuro, João Emmanuel mantém os pés no chão e o coração cheio de sonhos. Quer se profissionalizar, defender um grande clube e construir uma carreira sólida. Daqui a dez anos, espera ter realizado grande parte dos seus objetivos, evoluído como atleta e, principalmente, como homem.

Aos jovens que estão começando, deixa um conselho direto: “Vai ter muitas batalhas e tristezas, mas também momentos bons. Treine, se dedique, porque as oportunidades chegam. Cavalo selado só passa uma vez”. Para quem pensa em desistir, a mensagem é de fé e persistência: “Continue firme. Deus já contemplou o seu caminhar. Pode parecer difícil, mas prossiga, porque Deus vai te honrar”.

A história de João Emmanuel segue em construção agora com muletas, fisioterapia e paciência, mas com a mesma convicção que o levou até a Copinha: trabalho, fé e a certeza de que o sonho continua vivo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Marco André Fontoura Rodrigues: do Planap ao Nacional do Uruguai, uma história de superação, fé e sonhos

Primeiro torneio de rua movimenta o distrito de Maristela em Alto Paraná

De Conceição do Mato Dentro para o sonho profissional: a trajetória do goleiro Renner Yago