Paulo Valverde: O paredão Catarinense em ascensão


Em um cenário onde poucos acreditam, a persistência se torna a maior aliada. Essa é a realidade vivida por um jovem goleiro catarinense, que, mesmo sendo alvo de críticas e desconfiança, não abre mão de seu sonho: brilhar no futsal profissional, disputar a Liga Nacional e conquistar a Europa.

Apesar do apoio parcial da família, ele ouve constantemente que está desperdiçando sua vida por tentar viver de um sonho que, segundo alguns, "não põe comida na mesa". Mas para ele, o futebol não é apenas uma escolha — é a razão de existir. “Futebol é minha vida. É o que me impede de seguir caminhos errados”, afirma com convicção.

E não é só discurso. A rotina do jovem é digna de atleta profissional. Acorda todos os dias às 07h30 para correr na rua, volta às 10h30, toma banho e segue para a escola. Às 17h30, embarca rumo aos treinos, que só terminam às 22h. De lá, volta para casa e repete tudo no dia seguinte. A rotina exaustiva é vista por ele como um degrau a mais rumo ao sucesso. “Minha trajetória está indo por um caminho ótimo, sem dar vacilos”, diz.

Na posição mais ingrata do futsal — o gol — ele se destaca. Enquanto todos querem fazer gols, ele é quem precisa impedi-los. “Minha função é injustiçada e desvalorizada, mas é essencial. Quando todos querem brilhar no ataque, eu sou o último obstáculo. E muitas vezes, o herói esquecido.”

E ele já teve seu momento de herói. Um dos episódios mais marcantes de sua carreira foi a defesa de um pênalti que garantiu o título da Copa Catarinense Sub-21. “Aquele momento me provou que vale a pena continuar, mesmo quando tudo parece difícil”, relembra.

Mas nem tudo são conquistas. Dentro de quadra, seu maior desafio vem dos próprios colegas de equipe. Piadas sobre sua aparência e personalidade são constantes. “Sou focado, não gosto de ficar de resenha ou de bobeira. Por isso, muitos me chamam de chato. Eu grito com o time para acordar, para fazer eles jogarem sério, e por isso sempre fui ridicularizado. A maioria só está ali para passar o tempo. Eu estou ali para jogar bola.”

Apesar das dificuldades, ele não pensa em parar. Pelo contrário: sonha alto. “Quero estrear no profissional, disputar uma Liga Nacional e chegar à Europa. Eu sei que o caminho é longo e cheio de porrada, mas é com elas que se aprende.”

Com a maturidade de quem já enfrentou muitas batalhas, ele reflete sobre sua transformação. “Antes eu era brincalhão. Hoje sou sério. E daqui a 10 anos, quero continuar sendo a mesma pessoa que sou agora: alguém que não desiste.”

Quando questionado sobre o que diria para outros jovens com sonhos parecidos, ele não hesita: “Sonhe, mas sonhe alto. Vão te humilhar por ter um sonho ‘infantil’, mas só você e Deus sabem o quanto estão trabalhando para chegar lá.”

Em meio a tantas dificuldades e resistência, ele se resume em uma palavra: superação. E se depender da sua vontade, disciplina e fé, esse goleiro catarinense ainda vai calar muitas bocas — com luvas nas mãos e foco nos olhos.


 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Marco André Fontoura Rodrigues: do Planap ao Nacional do Uruguai, uma história de superação, fé e sonhos

Primeiro torneio de rua movimenta o distrito de Maristela em Alto Paraná

De Conceição do Mato Dentro para o sonho profissional: a trajetória do goleiro Renner Yago